por C.A. - Terca-Feira, 9 de Augosto de 2005, às 18:40
É prova inequívoca de evolução do país quando um assalto se dá nas bases requintadas como foi roubado o prédio do Banco Central em Fortaleza. É sinal de que o povo se educa e pouco importará assim que educados sejam também os vigaristas. Como se diz: é a sonhada democratização do acesso à educação – certo? (O Brasil cresce, senhoras e senhores)! (A população se instrui). (Quel merveille)!
Em tempos de pilantragem petista atrapalhada, qual seja, sem planejamento para além da gana de cohibas imediatos e ternos cafonas de um tal Ricardo Almeida, do prazer de se lambuzar no melado de ostentar a cueca já forrada e em tempo recorde, o roubo ao Banco Central em Fortaleza é também um alento para que a bandidagem continue a crer no crime perfeito – engenhado miúdo e em longo prazo, sem estardalhaço: um assalto de filme americano, isso sim, espetacular, com túnel inclusive de temperatura medida, ou seja, com tratos de sofisticação, com ar-condicionado, para que o ladrão enfim trabalhe com dignidade, sem suar; por outro lado, a desigualdade, a injustiça, a falta de recursos materiais e técnicos, a ausência sobretudo de talento, a pobre segurança do edifício, a miserável polícia, por sua vez personagem de cinema brasileiro, sem dúvida, exata para o papel, a polícia nacional desprovida de inteligência, mesquinha como se uma personagem do Bruno Barreto, do Carlos Diegues.
Há um clichê normalmente idiota segundo o qual o povo sempre ensina, sempre pode dar lições aos governantes. É idiota porque geralmente lido para o bem: o povo a passar ensinamentos positivos, de fé, esperança etc. Vertido para o mal, no entanto, vertido para o mal como se deve fazer quando se pretende uma avaliação séria da vida pública deste país, não poderia melhor servir ao episódio do assalto ao BC cearense – e a ele se junta o velho ditado de que em terra de cego quem tem um olho é rei: a população, ao menos caolha, feita docente no curso de como espoliar o estado e dormir tranqüilo.


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