por C.A. - Quarta-Feira, 25 de Augosto de 2004, às 18:43
O presidente-parati Lula ligou para Robert Scheidt. Queria parabenizá-lo pela medalha de ouro olímpica. Uma tremenda palhaçada, atlética leitora. O que um presidente da república minimamente sério deveria fazer no caso brasileiro era entubar o apelo populista de telefonemas patrióticos com o melhor silêncio – o qual vale ouro também, diga-se.
Se para além da conversa fiada do ministro Agnelo Queirós e dos demais comissários petistas houvesse aqui no Brasil investimentos planejados de longo prazo em infra-estrutura esportiva, aí sim: aí o presidente poderia ligar para os campeões e colher os louros de um trabalho projetado com inteligência e responsabilidade, necessariamente em parceria com a iniciativa privada. Mas nada disso há – e o mais próximo que já chegou Lula de uma política de educação por meio do esporte foi quando botou o boné do COB na moleira.
O presidente tinha de ter vergonha na cara e reconhecer com seu silêncio que o governo brasileiro nada tem a ver com o triunfo de Scheidt – nada. É isso: vergonha na cara. (Quando o Brasil foi tri na Copa do México/70 e o ditador Médici associou sua imagem ao espetáculo dos nossos craques, foi execrado – e agora, leitora; é muito diferente?). Não foi enfim através de projetos governamentais que o Scheidt guri pela primeira vez velejou. Não foi. O seu primeiro barco foi o papai quem deu, ou talvez o titio, ou o vovô querido – iniciativa familiar mesmo. Guga também: um fenômeno. Se houvesse um projetinho que fosse, impulsionados por seu exemplo, outros grandes tenistas teriam aparecido no Brasil. Mas não. Nada. Nada. A glória olímpica de um brasileiro expõe a sua capacidade de superação mas sobretudo a incompetência nossa para a formação de atletas.
E talvez caiba agora recordar que: Ricardo Prado, prata nos quatrocentos medley em Los Angeles/84, só evoluiu e chegou ao sucesso porque foi treinar nos EUA. Da mesma forma, Gustavo Borges. Da mesma forma, Joaquim Cruz – que mal fala português, aliás. O Brasil é uma farsa esportiva e o sucesso dos atletas brasileiros depende de um talento excepcional ou de oportunidades de treinamento fora do país. Cada um por si.
Atletas brasileiros são heróis, sim – com ou sem medalha, sempre. Mas com certeza lhes seria melhor uma outra pátria de nascimento, talvez a Argentina.
Nota de rodapé: somos a monocultura do futebol e não temos sequer esse mérito – bola de meia eu também sei fazer e para uma pelada basta o chão.


deixe seu recado