por C.A. - Sexta-Feira, 20 de Fevereiro de 2004, às 18:54
Carnavalescos tribuneiros (carnavalesco aqui é quem pula carnaval – e não esses “belas-artes” malditos que constróem carros tão grandes quanto horrorosos), o meu esquema para a festa momesca está já montado. Compartilho-o generosamente, portanto.
O sábado será bacana, talvez um tipo mais agitado de aquecimento: de manhã, como faço todo ano, irei à Serrinha buscar as fantasias e ver os tamborins sendo afinados na fogueira (é indescritível!); depois, e não se sabe até que horas, estarei ligado ao Fla-Flu e espero, honestamente, que a cidade possa ter a felicidade tão merecida – Mengão na cabeça e muita cerveja também (e até o mictório hediondo do Maracanã parecerá satisfatório).
O domingo será já altamente sambístico. O Cacique desfila na Rio Branco e lá estarei batendo cocar. Quem quiser, é só chegar: basta vestir vermelho, preto e branco – é muito gostoso mesmo, muito festivo (e um pouco antes tem o Bafo da Onça). Depois, com certeza, levarei a musa para conhecer o espetáculo que é esse nosso Terreirão do Samba. Ana certamente se deliciará com o churrasquinho do Dauro, lá na barraca do Salgueiro.
Segunda-feira de carnaval – o grande dia! Acordarei nervoso; tenso. E tratarei logo de preparar o isopor. Ele me acalma. Preciso explicar esse meu isopor – é uma tradição carnavalesca da família (minha mãe que não me leia). A escola será a quarta a desfilar; desfilará lá pelas duas da madrugada. Mas o meu isopor estará já pronto ao meio-dia: as bohemias todas enfiadas engenhosamente no gelo! É a minha farofa de cada ano – e tenho muito apreço por ela, parte fundamental que é do grande momento do carnaval das escolas de samba: muito mais legal que o desfile (que é uma delícia, diga-se), preparo-me mesmo para as inacreditáveis horas de concentração, esse ano sob o “Balança mas não cai”. Chegarei cedo (não sem ouvir as reclamações gerais, sobretudo das namoradas queridas), estabelecerei meu quintal, enrolar-me-ei no pavilhão verde e branco, abrirei o isopor e me entorpecerei sem parar, eu e os amigos (a elite do gogó nacional), vendo as escolas se armarem, as baterias esquentarem, vendo também uns peitinhos de fora – mas tudo muito respeitosamente: é carnaval, afinal. E esse ano o nosso observatório cervejal terá uma novidade de peso (e o isopor se ajeita para tal, ora): o Império Serrano terá em suas fileiras, pela primeira vez, o editor tribuneiro Rafael Simi, mangueirense de boa cepa, que nos reforçará na maravilhosa tarefa de cantar um samba de Silas de Oliveira.
A Serrinha entrará na avenida e será lindo. Como sempre: lindo. Beijarei, então, a mão de Dona Ivone Lara e chegarei à dispersão seguro de mais um título – que não virá.


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