por Pim - Sexta-Feira, 3 de Julho de 2009, às
15:28
Manhêêê! Ele me expulsou, só porque eu fiz um gol de mão! (Manuelzinho Zelaya)
O recreio hondurenho nunca foi tão animado. Manuelzinho Zelaya, o craque da semana, tentou fazer um golaço de mão. Os bandeirinhas da Justiça - em cima do lance - anularam a jogada. Pior: o inspetor Roberto Micheletti não teve dúvidas - expulsou Manuelzinho Zelaya. “A regra 239 é clara”, ele disse, “mão intencional é cartão vermelho”. A torcida não se conformou: “Como ousam expulsar Manuelzinho Zelaya?”.
A notícia correu o mundo. Cartão vermelho? Gol de mão anulado? Onde já se viu? Até o presidente Lula teve que mudar de canal. Da Líbia, onde assistia ao seu Flamengo X Vasco entre os oposicionistas iranianos (Flamengo) e os pistoleiros dos aiatolás (Vasco), o presidente defendeu a volta imediata de Manuelzinho Zelaya a campo, com uma camisa do Corinthians; enquanto que, no Brasil, torcedores de todos os jornais condenaram o cartão vermelho, ignorando o gol de mão e, claro, a Cartinha Magna (vulgo Constituição). A paixão clubística - tão linda - merece mesmo um prêmio: quem será o “Torcedor do Ano”?
Com a palavra, os finalistas de hoje:
Luiz Garcia [cheerleader da torcida organizada O Globo, reprovando o cartão vermelho e reclamando apenas que o torcedor Lula estava numa torcida inimiga na hora do choro]: “[…] Trípoli [capital da Líbia] não era, certamente, o melhor palco para uma afirmação de amor à democracia pelo presidente brasileiro. Talvez para não ferir seus colegas de plenário, ele definiu o acontecido em Honduras como um ‘golpe militar desnecessário’. Lula parece não perceber que no mundo atual não fica bem para um político democrático achar que existem golpes necessários. Talvez não tenha querido magoar seus colegas de convescote”.
Clóvis Rossi [membro da torcida organizada Folha de S. Paulo, sugerindo que o cartão vermelho não está nas regras do recreio]: “[…] O presidente Manuel Zelaya tentou ser o César de turno. A oposição, em vez de cortar a tentativa pela via institucional, apelou às baionetas, como faz qualquer César de arrabalde […]“.
Folha de S. Paulo [editorial da torcida organizada homônima]: “O Brasil é corretamente principista ao defender a democracia e o retorno ao ’status quo’ em Honduras, após o golpe militar que defenestrou o presidente eleito, Manuel Zelaya”.
Participe você também:
Referendo “Torcedor do Ano” - Porque amor não tem lei…
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E ainda (não perca): Referendo “Mamãe do Ano” - [aqui]
por C.A. - Sexta-Feira, 3 de Julho de 2009, às
13:56
Não… Lula!
(90… 150 milhões em ação; o leitor sabe como é)…
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E eu: de queixo caído…
Pós-escrito [15h21]:
Pedi autorização ao Arlindo Cruz para privar do restrito twitter dele [aqui], mas, ao que parece, e com toda a razão, fui rejeitado.
Mais um motivo para lhe ficar no pé…
Olha o que ele disse - muito fooofo! - sobre a disputa pelo samba-enredo do Império Serrano em 2010:
“Estou otimista com relação ao carnaval do Império. O enredo é de fácil leitura do público; é realmente muito bom. Aliás, não poderia esperar outra coisa da competente Rosa Magalhães. Quanto ao samba, o que posso dizer é que, como sempre, levarei a disputa a sério“…
Como sempre!?
Enfim… Espero que agora leve mesmo a sério, já que a última boa composição que fez para o Império foi em 2006. (Em 2007, sem pegar à pena, apenas assinou o pior samba-enredo da história da escola; e em 2008, disputou e perdeu com um sambinha bem meia-boca).
E espero que este “levar a sério” esteja restrito à criação musical - e que não tombe, conforme o caráter de alguns seus parceiros, para o clima de intimidação absolutamente impróprio às mais gloriosas tradições imperianas.
Estarei lá - e de olho.
Pós-escrito [15h35] - extra!, extra!:
Momento facebook-orkut, perdão!; mas absolutamente deslumbrante e inevitável: fui convidado [agorinha] - pela primeira vez em minha vida de tão boas amizades - a ser padrinho de casamento de um amigo maioral [da vida inteira], Nilo Ramos!, o maior futebolista com que tive a honra de defender as cores do Jockey Club Brasileiro. (E não foram poucos os grandes, Felipe Moura Brasil e João Paulo Duarte entre eles - por exemplo).
Uma honra.
Outro dia mesmo [invejando o Pim] eu reclamava de que, tendo amigos tão amigos, jamais fora padrinho, mas isto porque, resistentes!, não se casam nunca os meus… E então vem Nilo Ramos [extraordinário surdo-de-terceira da Renascer de Jacarepaguá] e me dá, gracejando a sexta-feira até então sem raça, esta tremenda [esta maiúscula] alegria.
por C.A. - Sexta-Feira, 3 de Julho de 2009, às
12:58
A verdade sobre Honduras vai aos poucos [felizmente] aparecendo…
Quero recomendar a leitura completa deste excepcional artigo - de Vitor Gomes Pinto [publicado, hoje, no Globo Online; a íntegra está aqui] -, do qual cá destaco alguns extratos:
“A crise de poder em Honduras volta a colocar na berlinda os conceitos democráticos de separação e de interdependência que devem caracterizar os Três Poderes em cada país. Se ao Executivo cabe governar, ao Legislativo compete elaborar as leis a ao Judiciário controlar sua constitucionalidade. Tudo dá errado quando um dos Poderes resolve anular os demais para impor suas regras e vontades. (…)
(…) Manuel (Mel) Zelaya, um fazendeiro e aristocrata eleito em 2005 pelo Partido Liberal com 49,9% de apoio num pleito com abstenção recorde de 45%, prometia a um povo quase sem esperanças “transparência e participação popular”, e perdeu sustentação ao fazer uma administração desastrosa na qual se mostrou incapaz de lidar com a crise econômica, a insegurança e as gangues juvenis que se multiplicaram.Resolveu dar uma guinada ideológica juntando-se ao bolivarianismo de Hugo Chávez. (…) O único com dinheiro vivo e ávido por ajudá-lo apenas em troca de apoio político era Chávez, que de quebra lhe oferecia uma fórmula mágica para não mais sair do governo.
Nem tudo está perdido: dois duros golpes acabam de ser assestados na epidemia do continuísmo que grassa na América Latina. Na Argentina, o casal Kirchner viu seu projeto de permanecer pelo menos 20 anos na Casa Rosada ruir nas eleições legislativas de domingo ao ser derrotado até mesmo na Região Metropolitana de Buenos Aires.
E, em Honduras, a tentativa de Zelaya de fazer uma consulta popular que lhe permitiria concorrer à reeleição em novembro, expressamente declarada ilegal pela Suprema Corte de Justiça, pelo Congresso e pelo Procurador Geral, terminou com sua destituição e substituição legal pelo presidente do Parlamento, Roberto Micheletti Baín, que, em sua primeira fala à nação, assegurou a realização das eleições em 27 de novembro próximo, não esquecendo de dizer que “Honduras estava se livrando da ameaça do chavismo”. A Constituição do país reza que o mandato presidencial é de quatro anos, proíbe a reeleição e estipula que “quem quebrar esta disposição terminará de imediato o desempenho no cargo, ficando inabilitado por 10 anos para exercer qualquer função pública”.
Zelaya imaginou que os 27 anos de tradição democrática de Honduras seriam logo esquecidos, como o foram nos países bolivarianos, e quando a consulta popular que propôs foi julgada ilegal, ignorou o veredicto judicial, demitiu o comandante em chefe das Forças Armadas (a quem cabia viabilizar a votação) e ordenou a invasão do quartel onde estavam guardadas as cédulas eleitorais enviadas por avião desde Caracas, passando a distribuí-las entre seus partidários.
Com isso, desafiou abertamente os dois outros Poderes, solapando inclusive suas bases de sustentação entre os hondurenhos que aceitam tudo, menos a volta aos negros tempos de exceção das primeiras sete décadas do século XX e a revogação da Carta Magna de 1981. (…)
(…) Em Tegucigalpa e em San Pedro Sula, as duas maiores cidades, milhares de pessoas saíram às ruas vestidas de branco para defender a democracia hondurenha e o Comissionado Nacional de Direitos Humanos, Ramon Custodio López, declarou que “a comunidade internacional não viu a intransigência com que Mel Zelaya pretendia seguir governando Honduras”. Os Três Poderes funcionam, o país parece tranquilo e, se tiver calma, Micheletti poderá conduzi-lo até a eleição do novo presidente em novembro.
por C.A. - Sexta-Feira, 3 de Julho de 2009, às
12:38
Falo com propriedade sobre os bairros que conheço e mais freqüento - mas isto serve a todos os cantos deste mui vilipendiado Rio de Janeiro: desde a queda do Morro do Castelo, nesses meus 92 anos de vida, nunca vi a cidade ser tão demolida como agora.
A impressão é de que, se há um sobrado antigo, um prédio do século XIX, do começo do XX, logo a prefeitura solta [sem critério!] uma licença e então chegam os tratores, as incorporadoras, os construtores - e eis um edifício, lindo!, ao chão.
Nesta Gávea, onde trabalho, é um sobrado por dia… Hoje me dei com o imenso vazio legado pelo velho casario demolido à rua Marquês de São Vicente, bem defronte à singela Matriz da Freguesia de Nossa Senhora da Conceição da Gávea, em terreno onde outrora esteve [fundado a 21 de novembro de 1878] o Grêmio Dramático União Familiar da Gávea, importante sociedade cultural de congregação das famílias do bairro - à memória da qual, nesta sexta-feira sem caráter, nesses tempos em que a história é aterrada pelo vil metal [por esses prédios cafonas, com filmes azuis aos vidros mil…], presto a sincera homenagem tribuneira.
Apesar dos pesares, sim, o Rio de Janeiro resiste!
por C.A. - Sexta-Feira, 3 de Julho de 2009, às
10:21
O governo provisório de Honduras - democrático e constitucional - cogita antecipar [um erro, a meu ver] a eleição presidencial do país, em todo caso prevista [e mantida, de acordo com a lei, mesmo depois da deposição do golpista Manuel Zelaya] para 29 de novembro próximo. Mas a imprensa esquizofrênica mundial, ainda assim, insiste em ver ali - nesta democracia em pleno exercício de sua Constituição, e que de resto sustenta, com equilíbrio institucional, um calendário eleitoral - um golpe de estado… (É grosseiro; e dar-me-ia pena, não tivesse desdobramentos graves, este jornalismo “tarsiano”).
Podem se candidatar à presidência [no pleito marcado para novembro] todos os cidadãos hondurenhos - menos um, em consonância com as mesmas regras que o elegeram há quase quatro anos: Manuel Zelaya.
Em Honduras, hoje uma democracia, país sofrido [e escolado] com os 27 anos de ditadura, a única coisa que não se aceita é a prostituição da Carta Magna nacional, que traz, por cláusula pétrea, a proibição [incondicional] de qualquer reeleição no Poder Executivo - e que se impõe muito dura, como a deposição [constitucional!] de Zelaya nos explica, ao homem público que tente desqualificá-la.
Simples assim.
Chamo agora a atenção do leitor para dois trechos desta entrevista do senhor Moisés Starkman [à Folha - aqui], funcionário público do Executivo hondurenho, que foi assessor do golpista Manuel Zelaya até o momento da deposição, com a qual concorda [ele defende a Constituição de Honduras], e que, no governo provisório, permanece no mesmo posto, conforme se dá nas mais sólidas democracias.
FOLHA - Qual era a intenção de Zelaya ao tentar convocar uma Assembleia Constituinte?
STARKMAN - Zelaya manifestou, em várias ocasiões, a necessidade de mudar a Constituição. Agora, em Honduras, tivemos o maior período de paz e de democracia com a Constituição atual. É uma Carta em vigência desde 1984 e, desde então, temos eleição a cada quatro anos. É uma Constituição que deu estabilidade ao nosso país. A Constituição tem artigos que não podem ser mudados. E um deles se refere à forma do governo, ao período presidencial e à não reeleição. Em Honduras, a ausência de reeleição tem sido um dos elementos que vêm dando estabilidade até o presente.
FOLHA - Chávez é a grande ameaça para Honduras, como alega o presidente interino?
STARKMAN - Chávez vem dando várias declarações infelizes. Isso faz com que haja temor em Honduras de que se queira exportar uma forma de governo que pode ser boa para a Venezuela. Mas nós, em Honduras, queremos uma forma de governo própria. Pessoalmente, acho importante que em Honduras haja um sistema de pesos e contrapesos. Não gostaria que, em Honduras, houvesse um presidente que faça o que quiser e quando quiser.
Está claríssimo… Mas, bem, vamos adiante.
Mesmo frente a este jornalismo mundial esquizofrênico [o jornalismo segundo Tarso, o da novela], que lê a exemplar democracia hondurenha com as lentes do Lula, qual seja, a do personalismo presidencialista e do desprezo pelo equilíbrio institucional; mesmo frente à ignorância [não descarto a má-fé] dos organismos diplomáticos internacionais, que não compreendem a passagem histórica, de defesa incondicional da democracia [fato raro na América Latina], em curso em Honduras; mesmo frente ao desconhecimento torpe [má-fé!] da OEA, que enxerga Honduras com os olhos [chavistas…] viciados do nicaraguense [sandinista!] José Miguel Insulza, o governo provisório hondurenho, na figura serena do presidente constitucional Roberto Micheletti, aceita [quer] conversar, aceita receber emissários da ONU e do escambau [para lhes dar conta da verdade], aceita antecipar as eleições [se for melhor para o país; não é], aceita quase tudo - menos a volta ao poder do golpista Manuel Zelaya, porque este cuspiu [e cuspirá sempre] sobre a Constituição democrática da nação, felizmente concebida para se proteger de canalhas como ele.
Desde a deposição, no último domingo, essa posição - constitucional, repito - tem o respaldo do Judiciário, do Congresso, do Ministério Público e do alto comando das Forças Armadas; e devemos, os democratas do mundo, aplaudi-la.
por Pim - Quinta-Feira, 2 de Julho de 2009, às
14:19
“Manhêêêê! Ele me empurrou, só porque eu bati nele!” (Manuelzinho Zelaya)
O pátio internacional está em polvorosa. É sempre bonito ver as mamães sujinhas invadindo o recreio da escola: “Quem ousou revidar aos golpes do meu filho? Ora, ora! Onde já se viu? Só porque Manuelzinho Zelaya jogou no lixo a Cartinha Magna, vocês se acham no direito de expulsá-lo? Só porque, contra a ordem da diretoria de Justiça, ele mandou os inspetores militares organizarem a reeleição para representante de turma, os inspetores podem se rebelar? Quem lhes permitiu tirar a Cartinha do lixo? Eles não conhecem Manuelzinho? Não sabem de quem ele é filho?”.
Pois, se não sabem, está mais do que na hora de saber. É preciso reconhecer o esforço materno. Em solidariedade à família de Manuelzinho – e somente enquanto ele não consegue emplacar a reeleição -, o pátio se abre para um novo referendo: quem será a Mamãe do Ano?
Com a palavra, as candidatas:
Lula: “Não podemos aceitar mais, na América Latina, que alguém queira resolver seu problema de poder pela via do golpe”.
Hugo Chávez: “Eu tenho certeza de que, aos golpistas de Honduras e a esse presidente espúrio e usurpador e os que o apóiam, lhes esperam a mesma sorte que a oligarquia venezuelana”.
Rafael Correa: “Os soldados jovens e os oficiais não comprometidos com a oligarquia não têm por que obedecer ordens ilegais, e por isso devem se rebelar contra essa cúpula corrupta”.
Hillary Clinton: “Isto [o ‘golpe’] deve ser condenado por todos. Chamamos todas as partes em Honduras a respeitar a ordem constitucional e o império da lei”.
Barack Hussein Obama: [declarou que o ocorrido no domingo é] “um golpe de Estado ilegal e que Manuel Zelaya continua sendo o presidente legítimo do país centro-americano”.
José Miguel Insulz (chileno, secretário-geral da OEA): [disse que] “esse organismo [a OEA] está disposto a um diálogo com Honduras unicamente se Zelaya for restituído como presidente”. “Precisamos mostrar claramente que golpes militares não serão aceitos. Pensávamos que vivíamos uma era em que golpes militares não eram mais possíveis no continente”.
Miguel D’Escoto (nicaragüense, presidente da Assembléia Geral da ONU): “A única solução é que o presidente constitucional e democraticamente eleito volte a seu cargo para exercer as funções atribuídas pela soberania popular”.
Cartinha Magna, encontrada no lixo do pátio:
Artigo 4 - “[…] A infração desta norma [de alternância da presidência] constitui delito de traição à Pátria”.
Artigo 42, inciso 5 – “A qualidade de cidadão se perde […] por incitar, promover ou apoiar o continuísmo ou a reeleição do Presidente da República”.
Artigo 239 – “O cidadão que tenha desempenhado a titularidade do Poder Executivo não poderá ser presidente ou indicado. Quem transgredir essa disposição ou propuser a sua reforma, assim como aqueles que o apoiarem direta ou indiretamente, perderão imediatamente seus respectivos cargos e ficarão inabilitados por dez anos para o exercício de qualquer função pública”.
por C.A. - Quinta-Feira, 2 de Julho de 2009, às
10:02
Manuel Zelaya, Hugo Chávez e os golpistas bolivarianos foram derrotados em Honduras - e os democratas do mundo, aqueles que reconhecem o valor de uma Constituição democrática, devem comemorar.
Trata-se, leitor tribuneiro, de um grande momento político para a América Latina - uma rara demonstração de maturidade institucional a ser compreendida, sem mistificações [sem mentiras!], pelo que é: um país traumatizado por quase três décadas de ditaduras fez valer as suas leis para afastar um presidente da República que, a cuspir sobre as regras pelas quais fora eleito, pretendia, à margem das instituições democráticas e contra os poderes Judiciário e Legislativo, ignorar [faltando quatro meses para a eleição] uma cláusula pétrea [a que proíbe qualquer reeleição no Executivo] da Carta Magna hondurenha.
Agora, ainda que Zelaya volte a Honduras, e mesmo que retome o cargo [o que me parece provável], terá de se comportar, terá de fazer o terrível esforço por respeitar a democracia e a ordem constitucional [caso contrário, é cana]; terá, afinal, de negociar com o governo provisório [governo provisório, de transição, e democrático!, pois que as eleições de novembro estão mantidas, em consonância com o que versa a Constituição] - e ele mesmo, Zelaya, já admite, para glória de seu país, que desistiu de pleitear a reeleição, qual seja, de urinar em suas leis.
É mentiroso - absurdamente falso - o jornalismo que vende a idéia de que a população hondurenha apoia Manuel Zelaya e a sua reeleição. Aos que, fugindo à pauta farsante proposta pela CNN [que chegou ao absurdo de mostrar manifestações contrárias a Zelaya como sendo a favor…], procuram - na revolucionária rede internética - pela verdadeira voz do povo de Honduras, é fácil constatar: a maior parte da população hondurenha rejeita o presidente golpista, sujeito sumamente impopular, e defende a Constituição do país, a qual, repito, vem sendo respeitada e exemplarmente seguida pelo governo provisório, ele também previsto, exatamente assim como se organiza, na Carta Magna de Honduras.
É a democracia representativa em grande demonstração de vitalidade!
A ignorância política - a má-fé ideológica - sempre procura desqualificar a ação pública, por importante e necessária que seja, que se dê sob o uso da força, ainda que esta força seja aplicada dentro dos limites legais. É velha safadeza… O que quero dizer é o seguinte, pisando bem no chão deste mundo real: as lideranças políticas e os militares hondurenhas impediram o golpe de estado de Zelaya e asseguraram - também por meio do uso LEGÍTIMO da força - a ordem constitucional. (E que seja sempre assim, em qualquer lugar do planeta).
A mentira de que o “pobre” Manuel Zelaya - vendido como vítima, meu deus! - foi deposto por militares inebriados pelo poder não resiste aos fatos [não há militares no comando da República de Honduras], e eu fico horrorizado com a maneira disfarçada como o golpismo civil é defendido em tevê aberta: “o coitadinho caiu - que truculência - apenas porque desejava um referendo popular”.
Ah, canalhas!, francamente: Zelaya queria um referendo [declarado ilegal pela Justiça e pelo Congresso] que afrontava a Constituição democrática de seu país, sob a qual fora eleito [sob a qual jurou!], e pleiteava - quatro meses antes da eleição - o direito a reeleger-se, outra afronta a uma Constituição que é muito clara a respeito [é contrária à reeleição!] e que, ouso dizer, tem como um de seus pilares a rejeição à idéia de permanência no poder. (Sim, eu li, umas três vezes, a Constituição de Honduras).
Ainda assim, chutando à vala a ordem institucional e o equilíbrio entre os poderes - e não fosse pela resistência constitucional das Forças Armadas -, Zelaya teria levado a consulta popular adiante; e, a despeito de isolado das leis e da população de seu país, valer-se-ia, em busca de seu tento ditatorial, do suporte estrutural de… (Quem, quem, quem)? Hugo Chávez e a pirotecnia bolivariana, esses escroques manipuladores que pintam o diabo na terra alheia sem que alguém, sequer de maneira elegante, acuse-os de ferir a soberania nacional, no caso, de Honduras.
Por fim, pensando em que o leitor talvez não compreenda por que esta Casa insiste em debater tanto e tanto a crise hondurenha, escrevo aqui o que publiquei ontem na seção de comentários; que, do ponto de vista convencional, a considerar um país vizinho como a Argentina ou uma potência mundial como os EUA, Honduras não tem mesmo muita importância política para o Brasil.
Parece-me porém - e este é o ponto, dramático, ao qual quero chamar a atenção - que a democracia na América Latina, e logo o futuro saudável desta, está em jogo em Honduras; e esta é questão grandíssima.
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Sei - eu sei - que escrevi contra [ignorância minha, própria ao apressado], mas quero comunicar ao leitor tribuneiro que, afinal convencido [foram meses de resistência!] de sua capacidade de divulgação, criei um twitter Tribuneiro [aqui], por meio do qual [não sei ainda bem como], pensando naqueles que se informam sobretudo pelo celular, pretendo dar conta de cada nova publicação desta Casa [que anda mais movimentada que nunca].
Quero também informar que, sem termos compromisso algum com a ferramenta, ao bastar de não servir mais aos supremos interesses desde site, podemos abandoná-la a qualquer momento.
por Tribuneiros - Quarta-Feira, 1 de Julho de 2009, às
14:49
[Para ouvir no YouTube, clique na foto]
Felipe Moura Brasil, o nosso escritor/radialista Pim Monumental, ensina ao leitor tribuneiro como ir à faculdade no Brasil, o que ela produz de melhor, o que colocar no diploma, e - de quebra - o que esperar de um sábado à noite no Rio de Janeiro.
Ouça também:
Podcast do Pim - “Padrinhos” - [aqui]
por Pim - Quarta-Feira, 1 de Julho de 2009, às
13:44
Povo hondurenho defende sua democracia, desafiando (também) a propaganda comunista da mídia internacional, sempre capitaneada por CNN, New York Times e Reuters (as únicas fontes de informação da imprensa brasileira…)
Neste mundo obâmico [gramsciano, na verdade], onde fazer valer a Constituição virou golpe [no sentido de tomada ilegítima do poder] - isto é, onde a propaganda sujinha [progressista] impõe sua força até o limite da inversão completa da realidade - só tenho uma observação ao texto desta boa autora [que o C.A. reproduz no post abaixo]: quando ela diz que “A comunidade internacional, pública e privada, ainda não teve o tempo, nem os elementos, para perceber que em Honduras, no domingo, rompeu-se um modelo”, ela está sendo por demais simpática, atenuando a responsabilidade da tal “comunidade”, sobretudo se pensarmos em presidentes e jornalistas.
Não é - evidentemente - uma questão de tempo e muito menos de elementos, pois que eles estão - e sempre estiveram - aí: é apenas o método histérico [chavista, lulista, obamista…] de demonizar qualquer reação a suas [deles] agressões à democracia, mesmo quando esta reação está amparada na lei local e vem para mantê-la. Essa gente gosta de bater sem ser incomodada, de roubar sem ser fiscalizada. (Lula, outro dia mesmo, reclamou que o Brasil tem fiscalização demais…) Honduras mostrou que a América Latina, quase toda sujinha, ainda tem forças para reagir - e com base na Constituição.
“[…] No Leblon se come quiche com salada. No Leme só sai das panelas arroz à piamontese, batata frita, bifes e outras comidas que se servem com duas colheres, uma técnica que os garçons antigos aprenderam no La Mole. Nem todos são ranzinzas, alguns são tão fofos que roubam frango da cozinha só para você quando acaba o do buffet. No Leme o que acaba no buffet não é reposto: acabou, acabou. […]”
Anotações verpertinas [parte I]
João Paulo Duarte
10-06-2009
“[…] Assim, justifico pela única vez algo a quem me lê: resolvi escrever estas “Anotações vespertinas” por não agüentar mais o cemitério de textos que escrevo no computador. (…) . As “Anotações vespertinas” resumem o momento e publicarei todas juntas. Meus textos terão coerência se lidos agrupados, mesmo que aleatoriamente. […]”
Um chinelo velho do seu número
Bruna Demaison
8-06-2009
[…] “No mais perfeito comercial de Havaianas o cara volta do mar e vem conversar enquanto o sol seca aquele corpo dourado. Não é o clichê de ser burro, só que para o conteúdo estar à altura daquela forma a escultura deveria compor o “Samba de Orly” de improviso. É cruel mesmo, tanto quanto o olhar deles no nosso doce balanço com celulites a caminho do mar. […]”
Anotações vespertinas [parte II]
João Paulo Duarte
5-06-2009
Bastou uma certa pressão e eis que nos reaparece João Paulo Duarte, talvez com o seu melhor texto Tribuneiro. Nesta altura, entretanto, o leitor arguto já se perguntará: como “parte II” se ainda não houve “parte I”? Não temos, sob o que dita o autor, a intenção-permissão de esclarecer a cousa; mas podemos assegurar, desde já, que o escriba prepara, por seqüência, prosa de ainda mais alta classe.
Hamlet - O dia em que Shakespeare virou rave
Felipe Moura Brasil (Pim)
2-06-2009
“(…) Nossos diretores estão cada vez melhores em legitimar a histeria coletiva como obra de arte. Depois de Luiz Fernando Carvalho transformar Machado de Assis numa micareta televisiva, Aderbal Freire-Filho transformou Shakespeare numa rave teatral. (…)”
O Leblon é dos lugares-mulheres
João Paulo Duarte
11-05-2009
“[…] O Leblon é agora formado por apaixonados por lugares-travestis – daqueles com peitos de silicone, cabelos esticados e que ainda satisfazem os enrustidos. O Leblon era repleto de tarados por lugares-mulheres, que amavam os defeitos e sabiam aproveitar as delícias de cada qualidade peculiar a elas. […]”
“[…] O texto do dia das mães acabou parecendo texto do dia das crianças. Vai ver é porque agora eu sei que em alguma parte delas existe uma menina igual a mim. Elas sabem que mais tarde vai esfriar, que a gente não está bem apesar de dizer que não é nada e o melhor remédio pra febre, mas também sabem dançar em cima da mesa. […]”
Porque venha de fechar um bom contrato para a publicação - em livro - do conjunto dessas “Memórias inventadas”, com esta sexta parte se encerra, neste site, a veiculação de trechos da obra; e sabemos que o leitor tribuneiro saberá compreender o autor.
“[…] Há vinte anos, quando ele morreu, esforcei-me, a pedido de mamãe, para lembrar de algum gosto especial dele, para um discurso de cemitério – e não havia: papai não tinha gostos. Mas menti, a pedido de mamãe. […]”
“[…] Não o quero julgar, mas meu tataravô, homem-de-deus [servo do senhor] convertido ao prazer e a conturbação, foi gigolô pioneiro, senão aos outros oferecendo o calor da esposa, explorando-lhe os dotes olfativos até que erguessem, juntos [o amor, o companheirismo], um império de ouro - um quarto, trinta metros quadrados, de ouro maciço.[…]”
“(…) Eu me despedi rápido, abri a porta sem temer aquela vontade louca de fechar, dei um beijo sem carinho como se fôssemos nos ver amanhã. Como se eu não fosse sentir saudades. (…)”
Carta aberta a Paulo da Costa e Silva
João Paulo Duarte
9-04-2009
“(…) Caí já outras vezes e me apresento pra próxima derrota na esperança de vencer em contra-ataque. Estou à flor da pele. Há poucas horas, debulhei-me em lágrimas no colo dela. Mas não acho que deixei de ser forte como antes. O fato é que minha força muda novamente de foco. (…)” João Paulo Duarte, hoje, dois anos de Casa, em pleno fulgor de missivista.
“(…) Escrever é-me caminho de morte, de morte iminente, de falência dos órgãos, de sufocação, de fôlego exaurido, sem esperança de ar, ao fundo, preso, do oceano mais escuro… (…)”
Entrevista com Felipe Moura Brasil [I] - sobre seu primeiro romance
Felipe Moura Brasil (Pim)
4-04-2009
“(…) Não há ninguém para chegar perto do ouvido dela e dizer: ‘Olha, você pode estar certa, viu? Por que não segue seu instinto?’. Ninguém para dizer que, em vez de ceder aos olhares de reprovação de puppies e afins, ela deveria enxergar o castelo de areia em que estava metida, e - quem sabe - sair correndo! (…)”